quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Perigo de Despejo em Lisboa: pedido de esclarecimentos à Vereadora da Habitação


Exma Sra. Vereadora Paula Marques,

Nos dias 26 de Outubro e no dia 3 de Novembro enviámos ofícios à Senhora Vereadora pedindo uma análise cuidada e alternativas para Carla Ferreira, mulher sozinha com duas crianças a cargo, em situação de completa precariedade laboral e que se encontra numa situação de iminência de despejo de habitação social na Quinta do Lavrado, onde começou a viver à cerca de um ano para tratar de um senhor idoso que entretanto foi internado em instituição especializada. A Carla procurou outra solução de habitação e não encontrou qualquer alternativa para a sua situação. Posteriormente, Carla Ferreira dirigiu-se à Assembleia Municipal para dar conta da sua situação e, mais uma vez pedir ajuda.

Não recebemos qualquer resposta aos ofícios enviados sobre esta situação particular a não ser que os regulamentos seriam cumpridos. O pior é que essa abordagem não olha de todo para a situação que as pessoas estão a passar no concreto.

Ontem, dia 30 de Novembro, Carla é surpreendida com um documento colado na porta dando-lhe três dias úteis para abandonar a habitação, assim como ameaças de prisão e toda uma série de penalizações por estar a viver naquela casa. A Carla não cometeu nenhum crime, entrou naquela casa através de uma relação laboral e agora não tem como sair, assim está a fazer tudo para poder dar um teto a si e aos seus filhos tendo-se dirigido à autarquia e à assembleia municipal. Perguntamos se terá ela alternativas? acaso houve um estudo da situação social que a Carla vive? houve alguma comunicação com esta, algum acompanhamento no sentido de encontrarmos alternativas?

Solicitamos, mais uma vez, uma resposta urgente a esta comunicação.

Os nossos cumprimentos,

(este é o email que acabámos de enviar à Vereadora Paula Marques) referência do ofício ENT/756/GVPM/16

A Carla precisa de uma resposta, não pode ir para a rua e não ficar no limbo sem resposta....
Este não é apenas um caso isolado, é um exemplo da situação em que se encontram muitos e muitas lisboetas que não conseguem aceder ao mercado privado nem a uma habitação social ou a uma chamada habitação acessível. É um problema de todos/as! Não é também um caso de polícia, mas um caso de emergência social!

Aqui as fotos da comunicação colada na porta pela polícia.




e o video da intervenção da Carla Ferreira na Assembleia Municipal


terça-feira, 8 de novembro de 2016

Responder à emergência social: por um Orçamento do Estado que vá ao encontro das reais necessidades sociais, com uma verdadeira política pública de habitação


Amanhã, dia 9 de Novembro, o Ministro do Ambiente irá ao parlamento fazer o debate parlamentar sobre o Programa de Ambiente no âmbito do orçamento de Estado de 2017. Desde já, ao analisarmos o relatório sabemos que este programa é uma desilusão porque não prevê nada para os que mais precisam – uma população substancial que com os baixos rendimentos que tem se encontra sem casa, em risco de a perder ou a viver em privação profunda devido aos problemas de habitação. Assim, vimos desde já chamar a atenção para este problema, pedindo ao Governo e aos grupos parlamentares uma reflexão sobre o que está previsto e sobre o que precisamos, esperando que hajam alterações neste campo no âmbito das alterações na especialidade.

São vários os mecanismos que têm vindo a degradar de forma substancial o direito à habitação no nosso País, destacando-se:
  • A redução acentuada dos rendimentos das famílias portuguesas. Portugal é hoje um dos países mais desiguais na Europa: 19,5% da sua população vive abaixo do limiar da pobreza; quase meio milhão de trabalhadores auferem o salário mínimo; 29% dos trabalhadores recebe menos de 700 euros mensais; temos 11,1% de desempregados, sendo este o valor oficial, não contabilizando os que não deixaram de integrar administrativamente as estatísticas;
  • O aumento extraordinário do preço da habitação está completamente desfasado da realidade dos rendimentos do trabalho em Portugal: Em Lisboa o preço da habitação aumentou 22% nos últimos 3 anos e, em termos nacionais, o aumento foi de 5,3%. A média de uma casa para arrendamento no distrito de Lisboa ronda hoje os 800 euros e, na cidade de Lisboa, os 1500; no distrito do Porto a média está nos 592 euros e na cidade do Porto, dos 686€. Os preços dispararam devido a uma série de políticas estatais e municipais, nomeadamente a liberalização do mercado, assim como do ordenamento, a agilização dos despejos e a promoção das isenções fiscais a estrangeiros e grandes promotores do imobiliário que têm única e exclusivamente promovido o alojamento turístico, o arrendamento de curta duração, a habitação de luxo e operações especulativas;
  • A interrupção do investimento nos programas de oferta pública de habitação desde 2009, conduziu à paragem do desenvolvimento de habitação social, tão insuficiente (apenas 3%) e estigmatizada no nosso país. À escassez de oferta públicas e social junta-se a ausência de um planeamento urbano adequado e uma regulação do mercado imobiliário no sentido de oferta de habitação conforme as necessidades sociais.
Tais processos, fruto de políticas concretas, consubstanciam o contexto hoje totalmente disfuncional de acesso à habitação, conducente ao gritante aumento das desigualdades. Atualmente este desastre é já sentido por muitas famílias, as quais recorrem ao Estado central e local, mas que são totalmente ignoradas por este, demissionário na procura de soluções, pelo que:
  • Milhares de famílias foram e continuam a ser despejadas por motivos de carência económica e não têm qualquer alternativa habitacional;
  • As listas de espera no IHRU e autarquias apresentam-se na ordem dos milhares;
  • 6 em cada 10 jovens, entre os 29 e os 34 anos, permanece em casa dos pais;
  • 30,9 % da população paga mais de 40% do seu rendimento em habitação, sendo que os mais sobrecarregados são os que auferem menos do que 60% do rendimento médio. O risco de pobreza aumenta para esta população em sobrecarga, devido ao preço da habitação. Os mais vulneráveis são pessoas idosas e doentes, famílias monoparentais e jovens;
  • A sobrelotação ronda os 10% nas estatísticas conhecidas e tende a crescer.
No entanto, programas de realojamento ou de desenvolvimento de habitação social estão estagnados: o PER (1993) ainda não foi concluído e mantém milhares de pessoas em condições sub-humanas. Para além disso, o PER exclui hoje cerca de 40% da população residente nos bairros abrangidos por este e, apesar das grandes dificuldades em que vive é brutalmente despejada; o PROHABITA está praticamente congelado desde 2009, à custa da austeridade.

Perante este cenário, é preciso questionar e refletir sobre o papel do Estado e qual o seu modelo de financiamento e partilha de recursos. As políticas e recursos públicos têm vindo a apoiar de forma esmagadora o mercado imobiliário, subsidiando-o direta ou indiretamente, sem que isso amplie o acesso à habitação, mas antes pelo contrário, reduzindo este direito fundamental, e tendo como repercussões o aumento da desigualdade e empobrecimento das famílias. Os atropelos flagrantes aos direitos humanos aumentam, como o demonstram os despejos forçados e sem alternativas.

O Orçamento do Estado para 2017 não só não aumenta as perspetivas para o desenvolvimento de uma política de habitação que responda às necessidades sociais como a diminui, uma vez que não contempla qualquer investimento em políticas sociais de habitação para quem mais precisa. O único apoio apresentado incide no alargamento do Porta65 jovem. Este programa consiste num subsídio que, na verdade, é apenas atribuido aos jovens que já têm rendimentos de uma chamada classe média e ajuda a contribuir para a manutenção de um arrendamento a preços elevados. A verba destinada ao PROHABITA é tão irrisória que apenas servirá para o realojamento de parte das famílias afetadas pelas catástrofes na Madeira.

Para além disso, as políticas de habitação previstas por este Governo serão executadas através de financiamento europeu, proveniente de fundos estruturais ou empréstimos ao Banco Europeu de Investimento, direcionadas sobretudo à reabilitação e à regeneração urbana, sendo que, apenas em parte desta habitação está prevista habitação acessível – ainda que não estando definido o que isso é –, mas sabendo-se de antemão que nunca será destinada à população mais carenciada, na medida em que tal investimento deverá garantir a rentabilidade dentro do modelo de mercado, como nos foi referido por representante do governo, é dirigida à classe média. No entanto, neste país desigual, precisamos que se olhe para a população que está cada vez mais longe desse conceito e que cresceu nos últimos anos. Também o Senhor Provedor de Justiça pede ao Governo soluções no âmbito do realojamento na sua recomendação de Agosto de 2016.

Os programas anunciados pelo Governo e o OE não respondem às necessidades mais prementes da sociedade, não respondem às dificuldades cumulativas que enfrentam as famílias e, por isso, resta-nos exigir a todos os grupos parlamentares, e ao Governo, que assumam as suas responsabilidades, com alterações ao Orçamento do Estado para 2017 no sentido da introdução de verbas que permitam retomar o desenvolvimento de habitação social ou de alternativas para as pessoas em situação de grande vulnerabilidade e risco, enquanto medida de emergência social, conforme ao desenvolvimento de uma política pública de habitação que responda efetivamente às necessidades sociais.

Responder à emergência social: por um Orçamento do Estado que vá ao encontro das reais necessidades sociais, com uma verdadeira política pública de habitação


Amanhã, dia 9 de Novembro, o Ministro do Ambiente irá ao parlamento fazer o debate parlamentar sobre o Programa de Ambiente no âmbito do orçamento de Estado de 2017. Desde já, ao analisarmos o relatório sabemos que este programa é uma desilusão porque não prevê nada para os que mais precisam – uma população substancial que com os baixos rendimentos que tem se encontra sem casa, em risco de a perder ou a viver em privação profunda devido aos problemas de habitação. Assim, vimos desde já chamar a atenção para este problema, pedindo ao Governo e aos grupos parlamentares uma reflexão sobre o que está previsto e sobre o que precisamos, esperando que hajam alterações neste campo no âmbito das alterações na especialidade.

São vários os mecanismos que têm vindo a degradar de forma substancial o direito à habitação no nosso País, destacando-se:
  • A redução acentuada dos rendimentos das famílias portuguesas. Portugal é hoje um dos países mais desiguais na Europa: 19,5% da sua população vive abaixo do limiar da pobreza; quase meio milhão de trabalhadores auferem o salário mínimo; 29% dos trabalhadores recebe menos de 700 euros mensais; temos 11,1% de desempregados, sendo este o valor oficial, não contabilizando os que não deixaram de integrar administrativamente as estatísticas;
  • O aumento extraordinário do preço da habitação está completamente desfasado da realidade dos rendimentos do trabalho em Portugal: Em Lisboa o preço da habitação aumentou 22% nos últimos 3 anos e, em termos nacionais, o aumento foi de 5,3%. A média de uma casa para arrendamento no distrito de Lisboa ronda hoje os 800 euros e, na cidade de Lisboa, os 1500; no distrito do Porto a média está nos 592 euros e na cidade do Porto, dos 686€. Os preços dispararam devido a uma série de políticas estatais e municipais, nomeadamente a liberalização do mercado, assim como do ordenamento, a agilização dos despejos e a promoção das isenções fiscais a estrangeiros e grandes promotores do imobiliário que têm única e exclusivamente promovido o alojamento turístico, o arrendamento de curta duração, a habitação de luxo e operações especulativas;
  • A interrupção do investimento nos programas de oferta pública de habitação desde 2009, conduziu à paragem do desenvolvimento de habitação social, tão insuficiente (apenas 3%) e estigmatizada no nosso país. À escassez de oferta públicas e social junta-se a ausência de um planeamento urbano adequado e uma regulação do mercado imobiliário no sentido de oferta de habitação conforme as necessidades sociais.
Tais processos, fruto de políticas concretas, consubstanciam o contexto hoje totalmente disfuncional de acesso à habitação, conducente ao gritante aumento das desigualdades. Atualmente este desastre é já sentido por muitas famílias, as quais recorrem ao Estado central e local, mas que são totalmente ignoradas por este, demissionário na procura de soluções, pelo que:
  • Milhares de famílias foram e continuam a ser despejadas por motivos de carência económica e não têm qualquer alternativa habitacional;
  • As listas de espera no IHRU e autarquias apresentam-se na ordem dos milhares;
  • 6 em cada 10 jovens, entre os 29 e os 34 anos, permanece em casa dos pais;
  • 30,9 % da população paga mais de 40% do seu rendimento em habitação, sendo que os mais sobrecarregados são os que auferem menos do que 60% do rendimento médio. O risco de pobreza aumenta para esta população em sobrecarga, devido ao preço da habitação. Os mais vulneráveis são pessoas idosas e doentes, famílias monoparentais e jovens;
  • A sobrelotação ronda os 10% nas estatísticas conhecidas e tende a crescer.
No entanto, programas de realojamento ou de desenvolvimento de habitação social estão estagnados: o PER (1993) ainda não foi concluído e mantém milhares de pessoas em condições sub-humanas. Para além disso, o PER exclui hoje cerca de 40% da população residente nos bairros abrangidos por este e, apesar das grandes dificuldades em que vive é brutalmente despejada; o PROHABITA está praticamente congelado desde 2009, à custa da austeridade.

Perante este cenário, é preciso questionar e refletir sobre o papel do Estado e qual o seu modelo de financiamento e partilha de recursos. As políticas e recursos públicos têm vindo a apoiar de forma esmagadora o mercado imobiliário, subsidiando-o direta ou indiretamente, sem que isso amplie o acesso à habitação, mas antes pelo contrário, reduzindo este direito fundamental, e tendo como repercussões o aumento da desigualdade e empobrecimento das famílias. Os atropelos flagrantes aos direitos humanos aumentam, como o demonstram os despejos forçados e sem alternativas.

O Orçamento do Estado para 2017 não só não aumenta as perspetivas para o desenvolvimento de uma política de habitação que responda às necessidades sociais como a diminui, uma vez que não contempla qualquer investimento em políticas sociais de habitação para quem mais precisa. O único apoio apresentado incide no alargamento do Porta65 jovem. Este programa consiste num subsídio que, na verdade, é apenas atribuido aos jovens que já têm rendimentos de uma chamada classe média e ajuda a contribuir para a manutenção de um arrendamento a preços elevados. A verba destinada ao PROHABITA é tão irrisória que apenas servirá para o realojamento de parte das famílias afetadas pelas catástrofes na Madeira.

Para além disso, as políticas de habitação previstas por este Governo serão executadas através de financiamento europeu, proveniente de fundos estruturais ou empréstimos ao Banco Europeu de Investimento, direcionadas sobretudo à reabilitação e à regeneração urbana, sendo que, apenas em parte desta habitação está prevista habitação acessível – ainda que não estando definido o que isso é –, mas sabendo-se de antemão que nunca será destinada à população mais carenciada, na medida em que tal investimento deverá garantir a rentabilidade dentro do modelo de mercado, como nos foi referido por representante do governo, é dirigida à classe média. No entanto, neste país desigual, precisamos que se olhe para a população que está cada vez mais longe desse conceito e que cresceu nos últimos anos. Também o Senhor Provedor de Justiça pede ao Governo soluções no âmbito do realojamento na sua recomendação de Agosto de 2016.

Os programas anunciados pelo Governo e o OE não respondem às necessidades mais prementes da sociedade, não respondem às dificuldades cumulativas que enfrentam as famílias e, por isso, resta-nos exigir a todos os grupos parlamentares, e ao Governo, que assumam as suas responsabilidades, com alterações ao Orçamento do Estado para 2017 no sentido da introdução de verbas que permitam retomar o desenvolvimento de habitação social ou de alternativas para as pessoas em situação de grande vulnerabilidade e risco, enquanto medida de emergência social, conforme ao desenvolvimento de uma política pública de habitação que responda efetivamente às necessidades sociais.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Carta ao Secretário de Estado do Ambiente e à CM Amadora

Vimos apelar a todos e todas que colaborem nesta campanha com dois pedidos fundamentais, ambos também em linha com a recomendação do Provedor de Justiça:
  • que o Governo assuma as suas responsabilidades em termos de protecção social e assegure o Direito à Habitação das famílias que foram despejadas no Bairro 6 de Maio na Amadora, articulando com o IHRU e Segurança Social alternativas para as pessoas.
  • que a Câmara municipal da Amadora suspenda as demolições no sentido de se encontrarem soluções em diálogo com o ministério e IHRU.
Ambas as reivindicações são básicas, vão no sentido do Estado assegurar aquilo que deveria ser a sua função, promover a vida e a dignidade humana e desenvolver uma política pública que responda às necessidades sociais. Pedimos que estes pedidos sejam enviados a partir do vosso email, de forma a pressionar o Governo, a Câmara e o IHRU a assumirem as suas responsabilidades. Os emails deve ser enviados cc/ das forças políticas que sustentam a actual maioria parlementar. Se quiserem escrever antes uma mensagem personalizada, força!

MINUTA

ASSUNTO: Bairro 6 de Maio | Suspensão dos despejos e resposta a emergência social


Exmos(as) Srs(as)
Ministro do Ambiente,
Secretário de Estado do Ambiente, José Mendes
gabinete.seaamb@mamb.gov.pt
Presidente da Câmara da Amadora
gab.presidencia@cm-amadora.pt


Cc:
helena.roseta@ps.parlamento.pt pev.correio@pev.parlamento.pt gp_pcp@pcp.parlamento.pt bloco.esquerda@be.parlamento.pt

Tendo tomado conhecimento que a Câmara Municipal da Amadora (CMA) tem levado a cabo demolições e despejos violentos no Bairro 6 de Maio, despejando famílias, crianças, idosas(os)  e pessoas doentes e sem que seja apresentada qualquer alternativa de alojamento.

Lembrando que o Provedor de Justiça fez, no final de Agosto, uma recomendação alertando para as violações de direitos humanos, assim como as violações do direito administrativo, cometidas pela CMA, assim como a revisão do Plano Especial de Realojamento de 1993, reconhecendo que este é um instrumento manifestamente desactualizado.

A decisão foi tomada na sequência da apresentação, em Julho de 2012 de queixa colectiva apresentada pela Habita, e de um pedido de averiguação dos factos pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos no que concerne aos despejos e demolições realizadas pela Câmara Municipal de Amadora, no Bairro de Santa Filomena, causando extremo sofrimento à pessoas envolvidas, grande parte delas ainda hoje sem alternativa habitacional decente.

Lembrando que decorre, durante o mês de Outubro, os 31 dias por um melhor Futuro Urbano, com vista a permitir a reflexão sobre o estado das cidades e do direito humano à moradia adequada, assim como lembrar ao mundo a sua responsabilidade colectiva sobre o habitat das gerações futuras.

Face ao exposto, e considerando que CMA demonstra assim um total desrespeito pelos mais elementares direitos humanos, alimentando uma situação de emergência social inaceitável, vimos por este meio:

  • solicitar ao Governo que assuma as suas responsabilidades em termos de protecção social e assegure o direito à habitação das famílias que foram despejadas no bairro 6 de Maio na Amadora, articulando com o IHRU e Segurança Social alternativas para as pessoas.
  • Exigir que a Câmara municipal da Amadora suspenda as demolições no sentido de se encontrarem soluções em diálogo com o Ministério do Ambiente e o IHRU.
Ambas as reivindicações são básicas, vão no sentido do Estado assegurar aquilo que deveria ser a sua função, promover a vida e a dignidade humana e desenvolver uma política pública que responda às necessidades sociais.

Apelando a uma actuação célere,

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Especulação não! Direito à habitação!

Lançamento em Portugal da campanha #ourcitiesnot4speculation promovida no âmbito da Aliança Europeia pelo Direito à Habitação e à Cidade.

dia 8 de Outubro
Sábado às 14:00 - 14:30
na Rua do Carmo

#EuropeNot4Sale, #OurCities #StopEvictions #StopDesahucios #StopDespejos

Por toda a Europa, as cidades estão a ser dilaceradas e refeitas segundo a visão das elites. Os bancos e a finança estão a lucrar tanto com prédios novos como com prédios velhos. Esta lógica de regeneração concentra o dinheiro em determinados territórios e expulsa pessoas desses territórios. O Estado promove a visão da habitação como um investimento, tendendo a pôr o nosso dinheiro onde estão a classes mais altas. Este modelo é insustentável, mas o sector financeiro ganha com ele, a curto prazo.

A nossa visão é de uma cidade diferente - não apenas a cidade antes do neoliberalismo, mas uma cidade que o derrote. Nós sabemos, por experiência, que comunidades empoderadas alimentam uma verdadeira democracia e cidades que sirvam as pessoas. Alguns e algumas de nós vimos dessas comunidades, e lutamos por elas, mas partilhamos a ideia de que habitantes com poder são um meio e fim na luta pelo direito à habitação e à cidade. Queremos construir alternativas concretas e, ao mesmo tempo, exigir ao Estado o empenhamento em habitação digna e acessível.

O empoderamento vem da acção, de sentir a nossa força colectiva. É desta forma que, durante o mês de Outubro que muitos grupos da Aliança Europeia pelo direito à habitação e à cidade irão promover acções contra a especulação. Esta especulação causa despejos, expulsões e nega às pessoas o seu direito a uma moradia decente e acessível. Defendemos estes direitos, impedimos despejos, e agora passaremos à ofensiva. Terão lugar acções em Espanha, França, Bélgica, Reino Unido, Itália, Chipre, República Checa. Hungria, Grécia, Portugal e eventualmente em mais países. Promoveremos também acções em solidariedade com lutas em todo o mundo, como parte do Mês de Acção pelo Direito à Habitação. À medida que aumentam os despejos e o tempo arrefece, a especulação financeira é responsável por mortes de milhares de pessoas por toda a Europa, de pessoas tentando chegar a Europa à procura e refúgio,

Sabemos o que queremos para as nossas cidades, e não é a especulação. Junta-te a nós e faz saber ao sector financeiro que não manda tanto quanto julga. Esta jornada de acção faz parte de uma mobilização global pelo direito à habitação, à cidade, à terra e ao habitat, porque estão em curso, por todo o mundo, processos muito fortes de privatização e exclusão de habitantes.

https://www.facebook.com/events/950776071716879/

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Câmara Municipal da AMADORA assinala o Dia Mundial do Habitat, promovendo demolições e despejos violentos

A Câmara Municipal da Amadora (CMA) retomou hoje, no dia Mundial do Habitat, as demolições e os despejos violentos no Bairro 6 de Maio, violando os mais elementares direitos humanos e ignorando as recomendações do Provedor de Justiça.
Durante a manhã de hoje foram despejadas quatro famílias, crianças e mulheres idosas   doentes. Nenhuma família foi notificada previamente e não tem qualquer alternativa de alojamento. A CMA demonstra assim um total desrespeito pelos mais elementares direitos humanos.
Lembramos que o Provedor de Justiça fez, no final de Agosto, uma recomendação alertando para as violações de direitos humanos, assim como as violações do direito administrativo, cometidas pela CMA. O Provedor de Justiça propôs ainda a revisão do Plano Especial de Realojamento de 1993, reconhecendo que este é um instrumento manifestamente desactualizado. A decisão foi tomada na sequência da apresentação, em Julho de 2012 de queixa colectiva apresentada pela Habita, e de um pedido de averiguação dos factos pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos no que concerne aos despejos e demolições realizadas pela Câmara Municipal de Amadora, no Bairro de Santa Filomena. 
Estes despejos ocorrem no dia mundial do HABITAT, que é celebrado anualmente na primeira segunda-feira de Outubro, em todo o mundo. Este dia foi designado oficialmente pela ONU e celebrado pela primeira vez em 1986, com vista a permitir a reflexão sobre o estado das cidades e do direito humano à moradia adequada, assim como lembrar ao mundo a sua responsabilidade colectiva sobre o habitat das gerações futuras.
Infelizmente estes despejos e demolições violentas vêm demonstrar que, num mundo onde há cada vez mais privatização e açambarcamento de terra, gentrificação e desregulação dos direitos das pessoas, o dia não é de celebração, é de protesto. Durante o mês de Outubro, em muitas cidades europeias vão haver acções de protesto, promovidas no âmbito da Aliança Europeia pelo Direito à Habitação e à Cidade.

Dia mundial do Habitat | As cidades não são para a especulação!

Hoje é o dia mundial do HABITAT, que é celebrado anualmente na primeira segunda-feira de Outubro, em todo o mundo. Este dia foi designado oficialmente pela ONU e celebrado pela primeira vez em 1986, com vista a permitir a reflexão sobre o estado das cidades e do direito humano à moradia adequada assim como lembrar ao mundo de sua responsabilidade colectiva sobre o habitat das gerações futuras.

Mas, num mundo onde há cada vez mais despejos, mais privatização e açambarcamento de terra, gentrificação e desregulação dos direitos das pessoas, o dia não é de celebração, é de protesto!

Durante o mês de Outubro, em muitas cidades europeias vão haver ações de protesto, promovidas no âmbito da Aliança Europeia pelo Direito à Habitação e à Cidade.