sexta-feira, 27 de julho de 2012

A habitação, uma condição para a liberdade


É vergonhoso o que está acontecer às pessoas do Bairro de Sta Filomena. A elas, e a todas as pessoas que estão a perder as suas casas, vítimas de um política de habitação assente na especulação e não nos direitos das pessoas.

A Constituição da República Portuguesa (CRP) é bem clara:
Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar. (Artº 65º)
Também Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais[1] reconhece que
o ideal do ser humano livre, liberto do medo e da miséria não pode ser realizado a menos que sejam criadas condições que permitam a cada um desfrutar dos seus direitos económicos, sociais e culturais, bem como dos seus direitos civis e políticos. (Preâmbulo) 
e estabelece 
o direito de todas as pessoas a um nível de vida suficiente para si e para as suas famílias, incluindo alimentação, vestuário e alojamento suficientes, bem como a um melhoramento constante das suas condições de existência. (Artº 11º)
A CRP foi escrita numa processo constituinte construído por um país que decidiu não passar um pano branco sobre décadas de miséria, de medo e muita repressão. Entendeu-se que não há liberdade com fome, nem há pão que aplaque o medo. Foi escrita em 1975 e foi embalada, mesmo que de forma diferida, pelo movimento de institucionalização dos direitos humanos que marcou a Europa do pós-guerra.

Nem meio século depois e, por todo o mundo, a habitação tornou-se objecto de especulação em mercados intoxicados e é hoje uma das nossas principais dores de cabeça: de dia para dia, crescem o número de pessoas que perdem a sua casa, movimento que se dá num ritmo desconcertante. Mais do que nunca, em tempo de austeridade e de desemprego, despejar pessoas sem garantir alternativa não é aceitável, não é admissível.

É urgente a nossa actuação.
É a vida e a liberdade de mais de 280 pessoas que está em jogo, hoje, no Bairro de Santa Filomena.

Não podemos fechar os olhos, não podemos ignorar.

[1] Adoptado e aberto à assinatura, ratificação e adesão pela resolução 2200A (XXI) da Assembleia Geral das Nações Unidas, de 16 de Dezembro de 1966. Entrada em vigor na ordem internacional: 3 de Janeiro de 1976, em conformidade com o artigo 27.º. O Pacto foi adoptada pelo Estado Português nesta altura e entrou em em vigor na ordem jurídica portuguesa a 31 de Outubro de 1978.

Terror na Amadora (2)

Testemunho:

"Terrorismo na Santa Filomena continua, hoje o bairro acordou cercado.
Já imaginaste acordar e encontrar a tua casa cercado pelo exército com armamento de guerra?
Hoje é a Santa Filomena, amanhã pode ser o seu bairro.



Santa Filomena hoje às 08:10







(...) Porque que só as nossas crianças que tem que ser expostas a essa violência tremenda?





GOE e o Comandante responsável pela operação demolição de Santa Filomena a confirmar o posicionamento dos agentes no terreno e dos Snipers.



(...) Neste momento a Polícia acaba de prender um dos moradores que faz parte da comissão de moradores e que deu a cara ontem nos meios de comunicação social, segundo informação dos meus colegas que estão no terreno (...) encontra-se detido na PSP - 60ª Esquadra – Mina, Avenida Movimento das Forças Armadas, 14 R/C, CP: 2700-596 Amadora."





















Fotos e texto de Jakilson Pereira

Abaixo de cão (1)

Demolições no bairro de Santa Filomena
"A Câmara da Amadora trata-nos como se fôssemos cães vadios"
27.07.2012 - 08:25 Por Marta Spínola Aguiar

Com vídeo


Segundo a PSP, cerca de 18 casas vão ser demolidas (Foto: Carla Rosado)

Eram 8h da manhã de ontem quando o Bairro de Santa Filomena, na Amadora, ficou cercado de polícias. Quando chegaram, desligaram a água e a luz numa tentativa de fazer com que as pessoas saíssem de casa. Os habitantes pressentiram o que vinha aí. "Percebi logo que eles iam demolir as nossas casas", disse um morador. Mas pouco quis falar. "Estou demasiado cansado", comentou.

Cansaço. Essa é a condição deste e de outros. Os habitantes tinham a indicação de que se saíssem do bairro não podiam voltar e, por isso, permaneceram junto às suas casas. "Este é um cenário de guerra", afirmou um morador, entre lágrimas. Desde entulhos a móveis partidos, ao pó que pairava no ar, o Bairro de Santa Filomena está a ficar reduzido "a lixo", dizem os habitantes.

O problema da maioria das pessoas é que vive no bairro há pouco tempo, ou pelo menos, depois de 1993, altura em que foi feito um recenseamento nos vários bairros da Amadora. Segundo esse levantamento, 562 agregados familiares, residentes em 442 habitações precárias, iriam necessitar de realojamento. No total, seriam 1945 pessoas que teriam de sair. Mas o recenseamento que serve de base ao Programa Especial de Realojamento (PER) foi feito há 20 anos e muitas das pessoas que agora vivem em Santa Filomena ainda não residiam no bairro em 1993. Por não estarem incluídas nesse levantamento, agora não têm direito a ser realojadas ao abrigo daquele programa.

A territorialização da opressão


Excerto de um artigo de João Silva Jordão:

"Precisamos de compreender este novo episódio de demolição no seu devido contexto económico - os interesses dominantes não querem que os cidadãos possam construir as suas próprias habitações, e utilizando o pretexto da salubridade, da segurança pública e do cumprimento da lei, destroem as habitações construídas pelos cidadãos para poder abrir caminho para mais construção, mais betão, mais torres de habitação cujas ambições verticais são cada vez mais vertiginosas e que não parecem ter limite. Os bairros construídos à escala humana estão em vias de extinção, a Grande Lisboa é cada vez mais um campo de torres de habitação sem áreas para comércio, convívio, sem espaço público de qualidade, sem serviços, sem mobilidade nem acessibilidade. Não são poucos os casos em que a ‘habitação informal’ demonstra um sentido urbanístico mais erudito do que os bairros de habitação ‘social’ que as Câmaras adoram construir, ou melhor, a construção dos quais adoram adjudicar às empresas dos amigos, dos familiares, ou até às suas próprias empresas. A batalha por uma cidade melhor está a ser perdida pelos habitantes, em benefício dos interesses económicos consolidados."

Ler texto integral aquihttp://casadasaranhas.wordpress.com/2012/07/26/o-bairro-da-filomena-e-a-territorializacao-da-opressao/

quinta-feira, 26 de julho de 2012

ALERTA

A polícia está no Bairro de Santa Filomena para despejar as pessoas das suas casas. Solidariedade é fundamental. Divulguem, acompanhem e se possível vão até lá!

Informação divulgada nos meios de comunicação social até ao momento:

Polícia assegura demolições e despejos na Amadora
http://expresso.sapo.pt/policia-assegura-demolicoes-e-despejos-na-amadora=f742399

85 FAMÍLIAS DESPEJADAS NA AMADORA
http://www.tvi.iol.pt/videos/13671514

Está a ser despejado o Bairro de Santa Filomena, na Amadora
http://www.precariosinflexiveis.org/2012/07/esta-ser-despejado-o-bairro-de-santa.html#more

PSP cerca bairro de Santa Filomena para demolição de casas
A PSP fechou esta quinta-feira de manhã o acesso ao bairro de Santa Filomena, na Amadora, para os trabalhadores da câmara avançarem com a demolição de habitações, inserida no processo de desmantelamento do bairro ilegal.
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/psp-cerca-bairro-de-santa-filomena-para-demolicao-de-casas

Amadora. PSP cercou bairro de Santa Filomena para demolição de casas
Por Agência Lusa, publicado em 26 Jul 2012 - 12:03
http://www.ionline.pt/portugal/amadora-psp-cercou-bairro-santa-filomena-demolicao-casas

Câmara da Amadora avança com demolições no Bairro de Santa Filomena
26.07.2012 - 13:20 Por Marta Spínola Aguiar
http://www.publico.pt/Local/camara-da-amadora-avanca-com-demolicoes-no-bairro-de-santa-filomena--1556457

Demolidas as barracas do bairro de Santa Filomena, Amadora
26.07.2012 13:43
http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2012/07/26/demolidas-as-barracas-do-bairro-de-santa-filomena-amadora

Câmara da Amadora avança com demolição do Bairro de Santa Filomena
André de Carvalho Ramos/ Pedro Ribeiro/ Liliana Claro26 Jul, 2012, 14:17
http://www.rtp.pt/noticias/?article=574096&layout=122&visual=61&tm=8&

PSP cercou bairro na Amadora para demolição de casas
Jornal de Notícias
A PSP fechou, esta quinta-feira de manhã, o acesso ao bairro de Santa Filomena, na Amadora, para os trabalhadores da câmara avançarem com a demolição de habitações, inserida no processo de desmantelamento do bairro ilegal. Até às 11.00 horas, ...

Câmara da Amadora demole casas e despeja famílias em Santa Filomena
Esquerda
A demolição é imposta pela Câmara da Amadora, presidida por Joaquim Raposo e de maioria PS. Segundo o Coletivo Habita, estão em risco de ficar sem habitação 280 pessoas, das quais 104 são crianças. Às 8 horas desta quinta feira a PSP cercou o bairro de ...

85 famílias despejadas na Amadora
Diário IOL
85 famílias residentes no bairro da Filomena, no concelho da Amadora, estão a ser despejadas esta manhã. A polícia cercou a zona para cumprir a ordem da Câmara Municipal. A luz foi cortada e foi pedido aos moradores que abandonassem as habitações.

Polícia fechou Bairro de Santa Filomena para a demolição das ...
A Bola
A PSP fechou, na manhã desta quinta-feira, os acessos ao Bairro de Santa Filomena, na Amadora, para que os trabalhadores da Câmara Municipal pudessem avançar com a demolição de várias habitações ilegais. Um retroescavadora tem desfeito as casas, ...

BE acusa câmara da Amadora de 'passar a perna à justiça' com demolições de bairro ilegal
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=55368

Amadora inicia demolições no bairro de Santa Filomena
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=55366

(em actualização)

Terror na Amadora

Testemunho:

"Exército invade o bairro de Santa Filomena para despejar os moradores.



Neste momento o Bairro de Santa Filomena está cercado pelos sequestradores da PSP e da Câmara, num perímetro de terror, o qual a PSP chama de perímetro de segurança. Ninguém entra no bairro, pois esta está a impedir o acesso a estrada ao lado do bairro com o objectivo das pessoas não poderem avistar o que se está a passar no mesmo.



As terroristas da Câmara da Amadora, que dizem ser Assistentes Sociais, a exercer violência psicológica sobre os moradores.



O meu povo não merecia isto, serem tratados como criminosos. Trabalharam a vida toda neste país, submeteram–se à exploração e ajudaram a desenvolver a economia deste país, essa gente é a tal mão-de-obra barata que Portugal mandou vir para fazer as grandes construções (Crel, Cril, Metro, Expo, Estradas de Portugal, grandes centros comerciais entre outras) e hoje neste dia estão a ser tratados assim desta forma pior do que cães ou ratazanas. Este é o obrigado pelo esforço e dedicação a este país.



Alguns moradores tinham colocado uma providência cautelar contra a Câmara da Amadora, sem o tribunal se pronunciar. A Câmara avançou com a demolição das casas, com uma forte presença policial (Brigada Antiterrorista, Brigada de Narcotráfico e snipers). Hoje a Santa Filomena parecia ser a Palestina, com o exército a cercar o bairro."

Fotos e textos de Jakilson Pereira

Bairro de Santa Filomena, Amadora

Localização:

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