quarta-feira, 21 de novembro de 2012
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
DESPEJOS NO BAIRRO DE
SANTA FILOMENA
AMADORA
Mais uma vez, o
direito à habitação (Artigo 65º da Constituição) dos moradores do bairro de
Santa Filomena, foi ostensivamente violado pela Câmara Municipal da Amadora.
Durante a manhã de hoje, de forma extremamente violenta, como é, aliás, usual,
as forças policiais (PSP e Polícia Municipal), obrigaram cerca de duas dezenas
de moradores a abandonar as suas casas (sete alojamentos) para que pudessem
prosseguir os trabalhos de demolição que, recorde-se, haviam já sido iniciados
no dia 26 de Julho de 2012. Entre as 22 pessoas desalojadas, contam-se dez
menores e dois idosos, tendo um deles, apresentando graves problemas de saúde,
sido arrancado à força pela polícia após se ter negado a abandonar a sua casa.
Encontra-se, neste momento, hospitalizado.
Como solução, a Câmara
Municipal da Amadora «oferece» uma semana de estadia numa pensão em Lisboa.
Findo esse período, sendo manifestamente impossível aos 22 moradores desalojados
aceder ao mercado livre de habitação, cujos preços especulativos afastam a generalidade
da população portuguesa, a única alternativa que resta, para muitos deles, é a
rua.
Mais uma vez, a Câmara
Municipal da Amadora mostra um profundo desrespeito pelos mais elementares
direitos humanos, uma flagrante incompetência na resolução dos problemas habitacionais actualmente existentes no concelho que, no actual contexto de crise, se têm agravado,
em suma, um comportamento inaceitável, num Estado democrático.
Perante estes factos,
os moradores de Santa Filomena e o HABITA – Colectivo pelo Direito à Habitação
e à Cidade vão contactar a Câmara da Amadora, o IHRU – Instituto da Habitação e
de Reabilitação Urbana, a Segurança Social e o Provedor de Justiça sobre o
atropelo dos direitos humanos decorrente da intervenção policial e das
demolições sem realojamento efectivo.
A Comissão de
Moradores do Bairro de Santa Filomena e o HABITA, continuarão a denunciar esta
situação e a convocar todos aqueles e aquelas que se mostram solidários com os
moradores despejados para que se juntem a nós e manifestem a sua indignação.
Amadora, 19 de
Novembro de 2012
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
HABITA NO FESTIVAL
O Habita - Colectivo pelo Direito à Habitação e à Cidade participa na 6ª edição do ImigrArte, que decorrerá nos dias 17 e 18 de Novembro, no Mercado da Ribeira, em Lisboa.Dia 17 | Sábado
18,00 h. | ESPAÇO PÚBLICO
(Espaço Debates e Testemunhos)
HABITAÇÃO E EXCLUSÃO
Membros de Comissões de Moradores dos bairros periféricos da Grande Lisboa falam-nos das suas experiências de luta pelo direito à habitação – a mobilização popular, a resistência contra as demolições que deixam as velhos, mulheres e crianças sem casa, sem haveres e a viver na rua, a luta contra os alojamentos temporários em condições degradantes e promiscuas em pensões arranjadas pela Segurança Social, as agressões e os insultos policiais, a sobranceria das autarquias, etc.
21,00 h. | AUDITÓRIO
(Ciclo Direito à Habitação)
VIA DE ACESSO, Nathalie Mansoux, 2008.
Documentário premiado como a melhor longa metragem no Indie Lisboa 2008.
(Ciclo Direito à Habitação)
VIA DE ACESSO, Nathalie Mansoux, 2008.
Documentário premiado como a melhor longa metragem no Indie Lisboa 2008.
Quando as pessoas vindas do campo e das ex-colónias chegaram às grandes cidades construíram as suas casas em terrenos baldios.
Dezenas de bairros surgiram dessa maneira nas periferias de Lisboa, Porto e outras cidades.
Em 1993, por efeito da adesão à União Europeia, o governo da altura e os que se
lhe seguiram decretaram a erradicação desses bairros "de barracas". As demolições avançam, os
moradores foram expulsos e realojados, uns em bairros sociais, outros (os que na
altura não foram incluídos nos recenseamentos do Programa Especial de
Realojamento (PER), os que entretanto chegaram, cresceram, nasceram ou separaram, em lado nenhum.
Cercado por grandes edifícios, a Azinhaga dos Besouros foi
um desses bairros. As últimas pessoas que aí viveram viram-lhes negado o
direito á habitação.
Via de Acesso documenta os últimos três anos desse
processo, revela com particular acuidade as insuficiências e os impasses das
políticas de urbanismo e de integração na Grande Lisboa.
Durante o festival o Habita estará presente com uma banca. Contacta-nos.
Informação sobre o Festival ImigrArte em:
http://www.festival-imigrarte.com/news/a5%C2%AA%20edi%C3%A7%C3%A3o%20do%20imigrarte/
sábado, 10 de novembro de 2012
CONTRA A NOVA LEI DAS RENDAS
PROPOSTAS PARA UMA POLÍTICA DE HABITAÇÃO
PROPOSTAS PARA UMA POLÍTICA DE HABITAÇÃO
O novo regime do arrendamento urbano, uma das reformas
estruturais concebida e imposta pela troika, aceite e passada a letra de lei
pelo atual governo, com vista à resolução do problema da habitação, deixará uma
profunda marca na sociedade portuguesa. A nova lei não consegue disfarçar a sua
natureza de classe e institui um maior desequílibrio entre senhorio e
inquilino. Num tempo marcado pelo desemprego, precariedade, baixos salários e
aumento do custo de vida, é mais uma acha para a fogueira neoliberal em que o
país se encontra, refletindo a completa negação do direito à habitação
consagrado na constituição.
A lei prevê a atualização dos valores das rendas para
imóveis com contratos celebrados antes de 1990 (um total de 255 mil contratos,
2/3 dos quais em Lisboa e no Porto), com base em 1/15 (6,7%) do seu valor
tributário ou através de negociação entre as partes. Deste modo, o governo
pretende acabar com os contratos antigos e facilitar o despejo dos inquilinos.
Para o efeito criou um serviço (balcão nacional de arrendamento) responsável
por um novo procedimento especial que visa acelerar e des-judicializar o
processo de expulsão e ampliou as possibilidades de denúncia dos contratos por
parte dos senhorios.
Durante cinco anos, inquilinos com mais de 65 anos ou
portadores de deficiência com incapacidade superior a 60%, integram um regime
de excepção e, apesar de poderem ter a renda aumentada, não podem ser
despejados. No entanto, após esse período, passa a vigorar o regime de renda
livre a custos de mercado.
O novo regime do arrendamento urbano, uma das reformas
estruturais concebida e imposta pela troika, aceite e passada a letra de lei
pelo atual governo, com vista à resolução do problema da habitação, deixará uma
profunda marca na sociedade portuguesa. A nova lei não consegue disfarçar a sua
natureza de classe e institui um maior desequílibrio entre senhorio e
inquilino. Num tempo marcado pelo desemprego, precariedade, baixos salários e
aumento do custo de vida, é mais uma acha para a fogueira neoliberal em que o
país se encontra, refletindo a completa negação do direito à habitação
consagrado na constituição.Efetivamente, esta lei não resolve o problema da
habitação, contribui para o empobrecimento e exclusão social e sobrecarrega a
segurança social que vai ter de lidar com os milhares de pessoas que ficarão
sem teto. Por outro lado, os interesses imobiliários e financeiros rejubilam
com a possibilidade de se apropriarem dos bairros históricos de Lisboa e Porto
e apostarem na lógica especulativa que tem tornado disfuncionais e injustas as
cidades portuguesas. São cidades para o lucro, não para as pessoas.
Uma
verdadeira política de habitação deveria assentar na forte penalização dos
alojamentos devolutos (cerca de 700 mil) e, em última instância, na sua
expropriação (use it or lose it) de modo a promover a existência de bolsas de
arrendamento e a disponibilização de fogos para arrendamento a preços
acessíveis. Paralelamente, deveria apoiar-se o investimento na reabilitação
urbana, tornar as autarquias menos dependentes do licenciamento para se
financiarem, desburocratizar e tornar mais transparente este processo e impedir
a apropriação privada de mais-valias urbanísticas.
Para
transformar as paisagens urbanas de muitas cidades e metrópoles portuguesas
deve reivindicar-se uma política de habitação que promova o emprego e a
mobilidade, a revitalização urbana e a qualidade de vida, ou seja, a construção
de cidades mais justas, sustentáveis e humanizadas.
Nem gente sem casas, nem casas sem gente.
André Carmo
sábado, 27 de outubro de 2012
SANTA FILOMENA
Câmara da Amadora quer despejar
dezenas de pessoas na rua
O Colectivo Habita e a Comissão de
Moradores/as do bairro de Sta. Filomena denunciam e manifestam a sua
preocupação com o recomeço das demolições neste bairro. Novamente, as
famílias não abrangidas pelo PER começaram a ser chamadas ao atendimento
social da Câmara, uma a uma, onde na presença de representantes do ACIDI e da
Embaixada de Cabo Verde foram intimadas a abandonarem rapidamente as casas onde
vivem. Como nas situações anteriores não lhes foi dada qualquer alternativa de
alojamento ou apoio social, condenando-as a viver na rua. A
Câmara e o ACIDI assumem que o destino destas famílias, a sua
integridade e segurança bem como os seus direitos não têm qualquer
importância.
A situação das famílias em causa é
preocupante: neste bairro, fora do PER, estão uma centena de
agregados familiares. São cerca de 380 pessoas, entre as quais pelo menos
105 crianças e jovens de menos de 18 anos, mais de 80 estão desempregadas, e pelo
menos 14 sofrem de invalidez permanente, deficiência ou doença crónica. Muitas
famílias são monoparentais, a maior parte compostas por mãe e filhos. A
média dos rendimentos é de 250€, 300€ por mês.
É preocupante também o facto de
estarmos no Outono/ Inverno, período em que as
condições meteorológicas são adversas; assim como a existência
de várias crianças que iniciaram o ano escolar e se vêm agora por um
processo de despejo que viola os seus mais elementares direitos.
Relembramos que as famílias desalojadas
anteriormente não viram até hoje concretizado qualquer tipo de apoio
prometido e vivem em condições degradantes, incertas, que não
respeitam a sua dignidade e segurança.
Se a autarquia e o
governo não têm, ou não querem ter, alternativas de realojamento para
as pessoas despejadas cujos rendimentos não lhes permitem arrendar casa no
mercado, então é necessário que suspendam as demolições e
os despejos em curso. O critério de alojar só as famílias que constam num
recenseamento de há 20 anos (PER, 1993) é inaceitável. Se este critério já era
injusto e gerador de conflitos no passado, agora, com o país em crise, tudo é
pior: os níveis de desemprego e de diminuição de rendimentos não podem ser
acompanhados pela intolerável humilhação e indignidade dos despejos sem
que se assegure a essas famílias uma alternativa digna.
25
de Outubro 2012
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