segunda-feira, 24 de junho de 2013
terça-feira, 4 de junho de 2013
Documentário sobre o Bairro da Torre (Camarate, Loures)
Sinopse
Portugal, Europa, 2011. Às portas de Lisboa, um bairro de lata está em vias de ser demolido. A Câmara Municipal de Loures parece firme na sua decisão, mas não apresenta soluções alternativas de alojamento. Enredo Na iminência de ficar sem tecto, os moradores do Bairro da Torre organizam-se para negociar com a Câmara e defender o seu direito à habitação, num processo com avanços e recuos, derrotas e vitórias. As mulheres assumem um papel central na defesa da casa e da família. No Bairro da Torre coexistem etnias sobretudo ciganas e africanas, e imigrantes que chegaram nos anos 90 para as grandes obras do regime. A crise atirou-os para o desemprego e a miséria. Agora batem-se pelos seus direitos e dignidade humana. Aqui Tem Gente acompanha o processo negocial, os problemas e conflitos desta população que, embora anarquicamente, consegue organizar-se e lutar pelos seus direitos. O documentário levanta ainda outras questões. Qual o papel dos activistas no apoio à organização da comunidade? Que política de habitação social para o actual momento de crise?
Synopsis
Synopsis
Lisbon, Portugal, Europe, 2011. A slum is about to be demolished. The City Council is determined to do it, but gives no alternative accommodation to the people. On the verge of becoming homeless, dwellers organize to defend their right to housing. African and gypsy communities make decisions in popular assemblies. Women lead a central role in fighting for their human rights. This documentary follows the process during six months of pressure and negotiations with local power. It also address issues about the role of activists, and social housing policy in a time of severe crisis.
Localização: Integrado no Parque de Monsanto, perto do Palácio da Ajuda.
Como chegar de automóvel e de transportes públicos: autocarros 60, 723 e 729.
Localização
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Como chegar à Faculdade de Arquitectura
Morada: Rua Sá Nogueira, 1495-055 LisboaLocalização: Integrado no Parque de Monsanto, perto do Palácio da Ajuda.
Como chegar de automóvel e de transportes públicos: autocarros 60, 723 e 729.
Localização
quarta-feira, 20 de março de 2013
ESPANHA E PORTUGAL JUNTOS
NA LUTA PELO DIREITO À HABITAÇÃO
Acção internacional de solidariedade com as famílias despejadas e pela aprovação da Iniciativa Legislativa Popular
No dia 18 de Março, em Lisboa e em varias cidades da União Europeia decorrerão iniciativas de solidariedade para com as mais de 200.000 familias espanholas que, em 2012, foram expulsas das suas casas. 526 expulsões por dia que contribuíram para o aumento dramático da taxa de suicídio e para o empobrecimento de milhares de pessoas que, com as políticas de austeridade impostas, se agravam de dia para dia.
Em Lisboa, o Habita - Colectivo pelo Direito à Habitação e à
Cidade entregou na Embaixada de Espanha uma carta de solidariedade para com
estas famílias e para com a Plataforma de Afectados/as Por la Hipoteca,
movimento social de massas que tem vindo a denunciar e a colocar no centro da
agenda mediática e política os despejos, os contractos bancários e o
endividamento – forçado – das famílias, apontando as políticas injustas que têm
sido levadas a cabo e com as quais os bancos têm sido os grandes beneficiários,
em detrimento das pessoas.
A PAH tem realizado por todo o Estado espanhol centenas de
mobilizações contra os despejos, pela dação em pagamento e por um parque
habitacional público que defenda o direito à habitação. É com estas
reivindicações – que pretende que tenham efeito retroactivo para as famílias
que já perderam as suas casas por impossibilidade de pagamento do crédito – que
entregou há algumas semanas uma Iniciativa Legislativa Popular (ILP) no
parlamento espanhol com 1 milhão e 400 mil assinaturas, conseguindo que esta
proposta de lei fosse discutida no parlamento. No dia 16 de Fevereiro foram
desenvolvidas centenas de mobilizações com milhões de pessoas para apoiarem
esta iniciativa e exige-se agora que esta lei seja aprovada.
O próprio Tribunal Europeu de Justiça considerou na passada
quinta-feira que a lei hipotecária espanhola em vigor, regulando os despejos,
era abusiva e ilegal. Ilegal por violar a directiva europeia de 1993 que
estabelece a protecção do/a consumidor/a e abusiva por não considerar o
desequilíbrio de forças entre as instituições de crédito e quem entra em
incumprimento. Uma lei justa que proteja as famílias, garantindo lhes o direito
efectivo à habitação é não só necessária como urgente.
A habitação é um direito basilar de qualquer pessoa que
também em Portugal tem sido violado diariamente. Os despejos também são pois
uma realidade no nosso país, nos vários tipos de mercado habitacional,
atacando-se e culpabilizando-se as famílias porque a sua condição económica não
permite o acesso ou a manutenção da habitação. A responsabilidade é das
políticas erradas que tornaram a habitação numa mercadoria com alto nível de
especulação: a actual lei do crédito à habitação não prevê em muitas situações
a dação em pagamento – sendo inadmissível que as pessoas perdendo a casa ainda
mantenham uma dívida – e não assume a desigualdade de poder na negociação entre
a banca e o cliente; a nova lei do arrendamento declarou uma autêntica guerra
às pessoas, prevendo aumentos muito elevados e “despejos express” sem ter
criado qualquer alternativa. Num país onde há quase um milhão de casas vazias,
não existe a garantia do direito à habitação. Esta é fonte de empobrecimento e
desespero para muitas famílias.sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
PLATAFORMA DE AFECTADOS
POR LA HIPOTECA
Um dos mais expressivos movimentos sociais em Espanha na
actualidadeestá em Portugal
Sexta feira, dia 22 de Fevereiro, 21h30 - Debate no
BarreiroBar O Penicheiro, Rua A. REIS 66
Sábado, 23 de Fev, 15h30 acção junto ao BPI (Chiado) - acção
directa “Sopa dos Ricos” e Conferência de Imprensa
16h30 Debate sobre Direito à Habitação e estratégias de resistência
16h30 Debate sobre Direito à Habitação e estratégias de resistência
(a decorrer no espaço MOB (Travessa da Queimada, nº 33, Bairro Alto)
Espanha tem visto nos últimos anos um
número impressionante de despejos, com milhares de famílias a devolverem a casa
ao banco, mantendo, no entanto, uma dívida considerável que se vêm condenados a
pagar. O desemprego, em níveis insustentáveis para a sociedade, a insuficiência
de um mercado de arrendamento, a enorme percentagem de famílias que compraram
casa e têm hipotecas sobre os empréstimos, e uma lei que não aceita a dação em
cumprimento, são os ingredientes fundamentais de uma realidade explosiva que
está a levar várias pessoas ao suicídio. Mas que também está a originar
mobilizações nunca vistas pelo Estado Espanhol na defesa do Direito à Habitação
e pelo cancelamento das dívidas quando a casa é entregue à banca.
No âmbito destas mobilizações foi
entregue no parlamento espanhol uma proposta de lei do movimento, através de
uma Iniciativa Legislativa Popular (ILP) — a 3ª da história deste Estado — com
um milhão e quatrocentas mil assinaturas, há cerca de duas semanas, que
obrigou o Governo a recuar e a aceitar (ao contrário do que tinha dito)
a tramitação da lei. Este processo foi desenvolvido pela PAH em parceria com
outras organizações como sindicatos e o movimento 15M, entre outros.
É para falar da realidade que vive a Espanha
neste momento, desta luta específica, assim como para analisar algumas
semelhanças com o caso português, que vive também o aumento do desemprego, o
excesso de endividamento à custa da compra de casa, e a nova injusta lei de
Crédito Habitação que o Habita – Colectivo pelo Direito à Habitação e à Cidade
convidou um activista da PAH – Plataforma de Afectados por la Hipoteca a
vir a Portugal.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
STOP DESAHUCIOS DISPAROU
AO CORAÇÃO DO CAPITAL
Dizia Sieyès nos seus escritos políticos sobre a Revolução
que os não proprietários não são mais que uma multidão sem liberdade nem
moralidade. Com excepção da Revolução haitiana, todas as tradições
revolucionárias sobre as quais se construíram os edifícios constitucionais
liberais e sociais-liberais, assentaram na propriedade privada como eixo jurídico
vertebrador das relações entre economia e política. A democracia norte-americana
dos pais fundadores baseava-se, de facto, na protecção dos interesses dos
proprietários das terras e dos escravos e na assunção de que, como escreveu
John Adams, desde o momento em que se instala a ideia de que a propriedade não
é tão sagrada como as leis de Deus, começam a anarquia e a tirania. A Revolução
francesa, que na sua etapa jacobina proclamou a igualdade como princípio,
juntamente com a liberdade e a fraternidade, mostrou como o desenvolvimento dos
acontecimentos terminou convertendo a igualdade num direito puramente formal,
ao mesmo tempo que constitucionalizava as relações materiais derivadas da
propriedade privada. Identificou-se o homem político com o homem proprietário,
e só assim se explica a exclusão criminosa dos revolucionários haitianos, esses
jacobinos negros que puseram de joelhos as potências coloniais da época, de
tradição “democrática” no pensamento ocidental.
Nestes tempos em que os jovens da esquerda espanhola
enfrentam a decrepitude política dos seus líderes, no que toca ao processo
constituinte, poucos se hão dado conta de que o primeiro passo nessa direcção
foi dado pelo movimento contra os despejos. Aqueles que criticam a
reivindicação da dação em pagamento por ser “reformista”, aqueles que na sua
arrogante míopia senil pensam que a correlação de forças se mede pelos
resultados eleitorais, parecem não perceber que a PAH disparou com êxito ao
coração do Capital, ao tornar inquestionável entre os cidadãos que a ideia de
que o direito à habitação deve estar por cima do direito à propriedade e de que
o crime não deriva apenas de comportamentos individuais, mas também das leis
que permitem a existência de entidades financeiras que lucram à custa das vidas
da maioria. Se acrescentarmos o facto de que incorporaram na luta política os
sectores subalternos da força de trabalho colectiva mais afectados pela crise
(trabalhadores migrantes, desempregados e precários) em contraste com os
sindicatos tradicionais que continuam a representar fundamentalmente os
sectores da classe trabalhadora em recuo (trabalhadores industriais com
contratos colectivos decentes, trabalhadores e funcionários públicos) podíamos afirmar que o partido dos comunistas do
século XXI em Espanha é sem dúvida a Plataforma dos Afectados pela Hipoteca.
Aí está uma das chaves na possibilidade de abertura de um
processo constituinte; no simples facto de que o projecto histórico de reforma social da
social-democracia, que jamais pôs em causa a propriedade privada como base
constitucional dos nossos sistemas políticos, simplesmente se esgotou. Não tem
a ver unicamente com o peso eleitoral que se tenha, mas sim com as transformações
nas condições materiais da estrutura social que tem sido o que permitiu que,
neste país, os bancos, o símbolo máximo da propriedade, pudessem ser vistos
como criminosos. É assim que o medo muda de lado.
Pablo Garcia, jornal Publico (ES), 16
de Fevereiro de 2013.
Disponível em http://blogs.publico.es/pablo-iglesias/191/stop-desahucios-ha-disparado-al-corazon-del-capital/
Tradução de André Carmo para o HABITA
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