… a Paz, o Pão, Habitação, Saúde, Educação. Só há liberdade a sério
quando houver liberdade de mudar e decidir, quando pertencer ao povo o
que o povo produzir.
No dia 24 de Abril saímos à rua sem
medo, como saímos há 40 anos, para ocupar o Largo Carmo e dar as boas
vindas à Liberdade. No momento atual querem fazer-nos crer que apenas
temos direito a ser devedores e por causa disso temos de deixar que
outros tomem decisões por nós. Também era assim que funcionava antes
desse dia que mudou o futuro, o dia 25 de Abril, quando soubemos
juntar-nos para mudar e decidir os nossos destinos
Exigimos hoje,
como antes, direito a vidas dignas recusando a exploração, com direitos
de habitação e usufruto da cidade, não queremos ser discriminadas,
queremos viver e construir Abril todos os dias. Hoje como ontem somos
capazes de nos juntar para inundar a cidade de novos rios, com novas
ideias.
Encontramo-nos na rua, no Largo do Intendente para
partirmos em direção ao Largo do Carmo juntando-nos pelo caminho aos
rios que encontrarmos.
Participa, traz as tuas ideias e vontades, instrumentos, comida, bebida e um saco do lixo.
Ponto de encontro: Largo do Intendente, às 20h30 (para preparar pancartas).
https://www.facebook.com/events/267004970137515/?ref=29&ref_notif_type=plan_user_joined&source=1
Este evento faz parte da iniciativa pública Rios Ao Carmo e é promovido por:
Assembleia da Habitação: http://adahabitacao.blogspot.pt/
Habita: http://www.habita.info/
Precários Inflexíveis: http://www.precariosinflexiveis.org/
UMAR: http://umarfeminismos.org/
Evento geral:
https://www.facebook.com/events/432399456863106
Site da iniciativa: https://riosaocarmo.wordpress.com/
quinta-feira, 24 de abril de 2014
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Ciclo de cinema: 40 anos a lutar pelo direito à habitação
O ciclo de cinema realizar-se-á todos os domingos de Abril, das 19:00 às 21:00, no Mob - Espaço associativo. Pretende-se reflectir sobre as lutas que se fizeram pelo direito à habitação no pós 25 de Abril. Desde o PREC com um poderoso movimento de organização dos moradores através do SAAL e além deste, com processos de luta com ocupações ou a exigência de "Casas Sim, Barracas Não!", até ao presente em que, por vezes, já só se luta para manter a tal casa informal e não se ser despejado na rua. 40 anos desde a Revolução e a Habitação sempre foi o parente pobre do Estado Social. Ontem tínhamos "barracas", hoje continuamos a ter casas de génese informal; ontem tínhamos sobrelotação e mau alojamento, hoje também; ao que acresce o excesso de endividamento pelo crédito à habitação, uma nova lei dos despejos e os bairros sociais a lidar com brutais aumentos de rendas. Veremos bons filmes e falaremos sobre o passado e o presente desta luta com convidados/as, realizadores/as, moradores/as, activistas e interessados/as. Haverá Sopa e/ou alguma coisa para petiscar.
Domingo, 6 de Abril, 19h
OPERAÇÕES SAAL (2007), de João Dias
Domingo, 13 de Abril, 19h
Aqui Tem Gente (2013), de Leonor Areal
Rua dos Anjos, 12F, Lisboa (metro Intendente)
quinta-feira, 3 de abril de 2014
RE-MOB, agora com a participação do Habita
O espaço associativo Mob mudou-se para o Intendente.
Está diferente, pensado por mais gente e agora conta também com a participação do Colectivo Habita.
Associação, livraria, bar, sala de espetáculos.
No meio da tempestade e da desgraça, um ponto de encontro para quem não desiste de se olhar nos olhos, de se divertir, de passar à ação e fazer acontecer.
Aí será também a nossa sede:
Rua dos Anjos, 12F.
sexta-feira, 28 de março de 2014
Notícia da Lusa sobre a acção de 26 de Março na Amadora
Amadora, 26 mar (Lusa)- Moradores de bairros de barracas e de habitação social da Amadora reclamaram hoje em frente à câmara local por mais "diálogo e respeito" nos processos de realojamento em curso no município.
A concentração em frente ao Paços do Concelho juntou mais de meia centena de pessoas, a maioria residente nos bairros de Santa Filomena, Casal da Boba, Alto da Damaia/Reboleira, Casal da Mira e Estrela de África.
"Moradores da Amadora exigem diálogo e respeito por direitos fundamentais", lia-se numa faixa presa na saída da estação ferroviária em frente à câmara.
Pelas 18:00, quando o executivo municipal iniciava os trabalhos da sessão pública, Laurença Rosário, 54 anos, exibia na rua uma folha de cartolina onde se queixava que único ordenado de 485 euros não chegava para pagar uma renda de 318 euros numa casa da autarquia.
"Não quero viver de borla em Portugal, porque sempre trabalhei, mas agora preciso de ajuda para uma renda mais baixa, que possa pagar", explicou a moradora no Casal da Boba, que viu a renda de 200 euros aumentar em dezembro de 2013, altura em que deixou de poder pagar as mensalidades. O marido está sem trabalho na construção civil e o filho "não arranja nem um part-time".
Rita Silva, do movimento Assembleia da Habitação, esclareceu que a iniciativa, com animação de rua e distribuição de panfletos em frente á câmara, pretendeu alertar para situação nos bairros da Amadora, que vão "desde despejos forçados sem qualquer alternativa, a realojamentos autoritários, em número excessivo de pessoas em casas sem a dimensão" e ainda para os "aumentos insuportáveis de rendas que estão a empobrecer famílias que já vivem com dificuldades" nos bairros sociais.
A autarquia, acusou a ativista, "tem mostrado uma total ausência de diálogo, revelando que trabalha mais para fundos de investimento imobiliário do que para proteger a vida, a estabilidade e os direitos" das famílias dos bairros degradados ou de realojamento.
Os manifestantes acabaram por entrar na câmara e assistir à intervenção de alguns munícipes.
"Os despejos em vários bairros estão a deixar as pessoas na rua e em pobreza extrema", denunciou Susana Duarte, em representação dos moradores, desafiando a câmara a dialogar com as pessoas afetadas pelos processos de realojamento.
Um morador no Bairro de Santa Filomena acusou a autarquia de não atender às condições das pessoas que deixa na rua. Eurico reclamou ainda contra "as pressões" exercidas contra os moradores para abandonarem as suas habitações sem alternativas.
A presidente da Câmara da Amadora, Carla Tavares (PS), respondeu que a autarquia não pode deixar de aplicar a atualização das rendas.
"A nossa disponibilidade para o diálogo é total", garantiu a autarca, sublinhando que a câmara vai prosseguir "com determinação" na demolição de bairros como Santa Filomena e Estrela de África (Venda Nova).
Segundo a autarquia, em 1993 existiam 4791 barracas distribuídas por 35 núcleos degradados. "Atualmente existem ainda 1439 construções distribuídas por dez bairros, dos quais 283 são ocupações ilegais", contabiliza uma nota camarária.
O realojamento no bairro de Santa Filomena envolveu 542 agregados familiares, em 442 habitações precárias, num universo de 1945 residentes. Desde 1993 foram demolidas 301 construções. A autarquia considera que meia centena das 141 que faltam para demolir são "ocupações ilegais" e que tem desenvolvido "um trabalho sério de acompanhamento com vista à sua autonomização".
LYFS // ARA
Lusa/Fim
quinta-feira, 27 de março de 2014
200 MORADORES na reunião de Câmara do Município da Amadora
200 MORADORES na reunião de Câmara do Município da Amadora, 6 BAIRROS pela primeira vez UNIDOS, intervenções dos moradores na reunião... a Luta Acontece e Continua, foi só o primeiro passo.
Ontem, 26 de Março de 2014, mais de 200 pessoas de vários bairros da amadora estiveram na reunião pública de Câmara e disseram Basta à forma como são tratadas pela autarquia no que concerne à habitação. Estão a ser despejadas, outras realojadas à força, outras sofrem aumentos de rendas que as manda para a pobreza.
A Presidente da Câmara não teve resposta... foi arrogante, despachou a reunião o mais depressa que pode... tentou negar estas situações, mas havia duas centenas de pessoas que testemunhavam ali a realidade.
No final o que se procurou foi passar a mensagem de que este foi o primeiro passo de um processo de convergência dos moradores e de convergência dos bairros discriminados, para a conquista de respeito e do direito à habitação. Que apesar da arrogância da presidente, não podemos desmoralizar e temos de continuar a pensar em novas formas de mobilização. A luta tem de continuar!!
Apelo prévio no facebook:
«Os moradores e moradoras de vários bairros da Amadora estão a unir-se num protesto conjunto para dizer à Câmara Municipal BASTA! é preciso respeitar o direito humano à habitação e é preciso dialogar e construir soluções em conjunto, abandonando o autoritarismo, a chantagem e a violência contra as pessoas.
A iniciativa será um protesto/ concentração junto ao edifício da Câmara no dia em que o executivo estará a fazer a sua reunião publica mensal, onde os moradores pensam também intervir.
Famílias do Bairro de Santa FIlomena, Casal da Boba, Alto da Damaia/ Reboleira, Casal da Mira, Estrela de África estão a juntar-se. Queixam-se de despejos forçados sem qualquer alternativa que atiram pessoas para a rua; queixam-se de realojamentos autoritários e propostas indecentes de colocar um número exagerado de pessoas na mesma casa; outras queixam-se de aumentos insuportáveis de rendas que estão a empobrecer famílias que já vivem com dificuldades. A isto junta-se a violência policial impune.
Não há qualquer capacidade de diálogo por parte deste executivo, o qual trabalha mais facilmente para fundos de investimento imobiliário dos bancos do que para proteger a vida, a estabilidade e os direitos das famílias residentes na Amadora.
Participa, toda a Solidariedade é Bem Vinda!!!»
Ontem, 26 de Março de 2014, mais de 200 pessoas de vários bairros da amadora estiveram na reunião pública de Câmara e disseram Basta à forma como são tratadas pela autarquia no que concerne à habitação. Estão a ser despejadas, outras realojadas à força, outras sofrem aumentos de rendas que as manda para a pobreza.
A Presidente da Câmara não teve resposta... foi arrogante, despachou a reunião o mais depressa que pode... tentou negar estas situações, mas havia duas centenas de pessoas que testemunhavam ali a realidade.
No final o que se procurou foi passar a mensagem de que este foi o primeiro passo de um processo de convergência dos moradores e de convergência dos bairros discriminados, para a conquista de respeito e do direito à habitação. Que apesar da arrogância da presidente, não podemos desmoralizar e temos de continuar a pensar em novas formas de mobilização. A luta tem de continuar!!
Apelo prévio no facebook:
«Os moradores e moradoras de vários bairros da Amadora estão a unir-se num protesto conjunto para dizer à Câmara Municipal BASTA! é preciso respeitar o direito humano à habitação e é preciso dialogar e construir soluções em conjunto, abandonando o autoritarismo, a chantagem e a violência contra as pessoas.
A iniciativa será um protesto/ concentração junto ao edifício da Câmara no dia em que o executivo estará a fazer a sua reunião publica mensal, onde os moradores pensam também intervir.
Famílias do Bairro de Santa FIlomena, Casal da Boba, Alto da Damaia/ Reboleira, Casal da Mira, Estrela de África estão a juntar-se. Queixam-se de despejos forçados sem qualquer alternativa que atiram pessoas para a rua; queixam-se de realojamentos autoritários e propostas indecentes de colocar um número exagerado de pessoas na mesma casa; outras queixam-se de aumentos insuportáveis de rendas que estão a empobrecer famílias que já vivem com dificuldades. A isto junta-se a violência policial impune.
Não há qualquer capacidade de diálogo por parte deste executivo, o qual trabalha mais facilmente para fundos de investimento imobiliário dos bancos do que para proteger a vida, a estabilidade e os direitos das famílias residentes na Amadora.
Participa, toda a Solidariedade é Bem Vinda!!!»
terça-feira, 18 de março de 2014
O Festival da Especulação em Cannes. E o que nos importa a nós?
O MIPIM é a maior feira
do imobiliário do mundo que acontece, em ambiente de cocktail, desde há 25 anos
em Cannes. O bilhete de entrada são cerca de 2000 euros, não é para pés
rapados, mas antes para os grandes especuladores: promotores imobiliários,
bancos, fundos de investimento, construtoras, grandes ateliers de arquitetos e firmas
de advogados, e claro, os governantes de cidades e países que com os outros
bebem champanhe. Todos se juntam em Cannes – uma cidade onde os seus
trabalhadores não conseguem viver por não conseguirem pagar uma habitação –
para preparar os grandes negócios imobiliários onde se compram e vendem terras
do mundo inteiro, habitadas ou não, bairros, cidades, quarteirões; onde se
combinam grandes projetos de reconversão, onde se preparam os próximos
campeonatos do mundo de futebol deste mundo. São negócios em grande, de
milhares e de milhões.
Mas e o que é que
isso nos importa?
Este evento é um dos momentos altos que concentra no espaço
e no tempo o que acontece nas nossas cidades e economias desde há anos: especulação
imobiliária que vai construindo bolhas, que vai encarecendo a habitação, que vai
expulsando pessoas dos seus bairros e das suas terras. Por exemplo, o
campeonato do mundo de futebol este ano foi responsável pela expulsão de
moradores de bairros pobres, pelo encarecimento da habitação e da vida nas
cidades, de encerramento de equipamentos e de privatização de espaços no
Brasil. Sabemos também o que foram as consequências da bolha imobiliária nos
Estados Unidos da América: 4 milhões de famílias já perderam as suas casas; ou
do que se passa aqui ao lado, no Estado Espanhol com os despejos diários e o
desespero de muitas famílias; Ou como em Portugal, os principais proprietários
de casas vazias são os fundos de investimento imobiliário, que açambarcam
imóveis, segundo eles ativos financeiros, que terão de valorizar; em Portugal
temos também uma nova lei das rendas – acertada entre o governo e a troika no
memorando de entendimento - que pretende agilizar os despejos, facilitando
assim o acesso do capital ao centro das nossas cidades e assim avançam novos
projetos de valorização imobiliária: uma deriva hoteleira sem precedentes na
baixa, centenas de apartamentos de luxo
na Colina de Sant’Ana, no Príncipe Real, novas urbanizações na Matinha, em
Alcantara, o Vale de Santo António, tudo projetos caros que vão custar ainda
mais caro…. E entretanto temos quase um milhão de habitações vazias em
degradação.
Na verdade, 25 anos
de MIPIM correspondem a um processo de aprofundamento sem precedentes não só da
mercantilização das nossas casas e das nossas cidades como da sua financeirização. Ou seja, a
mercantilização remete para o mercado o controlo da habitação. Sem que haja
mecanismos de controlo dos preços ou desenvolvimento de alternativas, estes são
levados para cima pela expectativa rentista dos proprietários que podem esperar,
pois que a habitação é essencial para a nossa vida, não há alternativa, e assim
temos de nos sujeitar. A par da mercantilização vem a financeirização em que as
casas e a terra se tornam activos financeiros de empresas que se jogam nas bolsas mundiais. Como em
qualquer processo financeiro, torna-se difícil distinguir entre a realidade,
que é a vida das pessoas, e a ficção: Casas vazias ou terra limpa de gente vale
mais sem o empecilho humano; a expectativa de aprovação de novos projectos
imobiliários catapulta as acções de uma empresa para cima; a concentração de
propriedade constrói monopólios e ganha peso na bolsa; a expectativa e a promoção do turismo promove
a valorização de activos, assim como o faz uma nova lei de despejos. Compra-se
terra, preparam-se projectos de arquitectura, aprovados depois com a cumplicidade
de governantes locais, e a cotação sobe automaticamente; depois constrói-se
para o luxo e para sectores que podem pagar muito pela propriedade, o que trará
mais rentabilidade, e depois toda a envolvente se contagia pela euforia. O
desenvolvimento das nossas cidades fica na mão de operações financeiras complexas,
que nos ultrapassam, que não correspondem às necessidades reais da população.
No MIPIM ficámos a saber que a habitação social da Alemanha,
milhares e milhares de fogos em bairros muito extensos, estão a ser vendidos à
Goldman Sachs, no Estado Espanhol os milhares de casas perdidas pelas execuções
de hipotecas estão a ser entregues a um dos maiores fundos de investimento do
mundo, a americana Blackstone. Em Londres, os projectos de renovação urbana
promovidas através de parcerias publico privadas afastam as classes populares
dos seus centros, em França operações financeiras complexas são desenvolvidas
para privatizar e valorizar os HLM, a habitação social. Em Bruxelas, grandes
operações de construção de escritórios e hotéis vão demolindo bairros populares
antigos no centro da cidade; operações de compra e venda, demolição e
construção, num processo infinito de produção e apropriação capitalista, que
nos vai expulsando, que nos vai retirando dos nossos bairros, que nos vai
remetendo para periferias, que nos vai isolando e aprofundando o nosso processo
de alienação, que nos vai empobrecendo através de uma transferência de
rendimento do (nosso) trabalho para o capital também através do imobiliário.
Lisboa no MIPIM
Lisboa tem participado nos últimos anos nesta feira. O
Vereador Manuel Salgado com uma delegação da CML, da LISINVEST e ESTAMO vão lá, feitos heróis patriotas, na sua grande
missão de “atrair
investimento para a cidade”. No entanto é preciso dizer que estão
enganados, não é investimento, são operações especulativas que na verdade vão
empobrecer muitos à custa do enriquecimento de alguns. Lisboa precisa de
investimento, mas não de especulação. Lisboa
vai para mostrar que é uma cidade muito internacional, um hub, um tesouro
turístico onde os nossos prédios se podem transformar em hotéis e apartamentos
de luxo, em escritórios. Vão lá dizer que temos planos para construir mais,
seja na frente ribeirinha, seja na pedreira do alvito, seja na colina
de Santa’Ana, seja no Hospital Oriental, seja no Vale de Santo António. Vai
dizer que somos uma cidade de oportunidades, sobretudo com a crise, que baixou
o preço da mão de obra, que tornou o despejo mais fácil com a lei das rendas,
que tornou o investimento e a transformação da baixa também mais fácil com o
novo PDM, Plano de Salvaguarda da Baixa
em quarteirões de hotéis, um paraíso para as lojas de regalos e gourmet.
Lisboa afirmou
no ano passado como um dos seus grandes objetivos no MIPIM a atração de
investimento Russo, Angolano e Chinês,
sobretudo com
os vistos dourados e os preços de saldo; referem também o potencial como
centro financeiro da banca e seguros, a
capacidade de atração de multinacionais, ou como cidade da saúde e bem estar
que quer dizer turismo. Tudo isto pode parecer inofensivo, quiçá até bom, novos
postos de trabalho…, mas será? Será que o encarecimento da habitação, o
afastamento dos seus habitantes, a criação de mão de obra ultraprecária, a
perda de bairros populares, o encerramento de pequeno comércio, a privatização
de espaço público, será positivo para nós?
A CML que se preocupa tanto com o investimento não parece
estar com a dificuldade de acesso à habitação dos Lisboetas que vão tendo de
sair da cidade, ou com o despejo do pequeno comércio, ou com o peso das rendas
e dos créditos nos orçamentos familiares. Lisboa não pensa na necessidade de
penalização das casas vazias (taxas municipais, por exemplo) ou na constituição
de uma bolsa de habitação para arrendamento a preço acessível. Lisboa pensa
antes em termos de mercado e de como promover Lisboa no mercado especulador.
Isto é o que tem acontecido com as cidades do mundo. Os
poderes públicos cada vez mais se demitem de planear verdadeiramente a cidade,
de intervir nesta de forma a garantir que a cidade é para todos e se deve
desenvolver de forma a criar oportunidades, acesso e usufruto de todos e todas.
A tendência é a cidade neoliberal, a cidade que se desenvolve em função do
mercado. Se este quer manter milhares de casas vazias, não há nada a fazer; se
este quer uma lei que ajuda a despejar mais facilmente, faça-se; se este quer o
usufruto de uma praça, ou da frente ribeirinha, é o investimento; se este quer
fazer uma centena de hotéis no centro,
viva o investimento. Assim se desenvolve uma cidade menos democrática, que
expulsa as suas gentes, uma cidade desigual, que fica dependente do grande
capital e à sua mercê.
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